O Jacinto tem 16 anos e uma playlist cheia de barras. Enquanto muitos ouvem o que está no top, ele vai mais fundo — procura rimas com peso, flows criativos, e batidas que dizem tanto quanto as palavras. É fã de rap americano e britânico, dois mundos diferentes, mas com o mesmo ADN: verdade crua, talento e atitude.
Foi com Nas, Tupac e Biggie que tudo começou. Eu apaixono-me pelo rap americano clássico — aquele com letras densas, storytelling puro e batidas sujas de vinil. Depois veio Kendrick, J. Cole, Tyler, Travis — cada um com o seu estilo, mas todos com uma entrega que não deixa ninguém indiferente.
“O Kendrick não faz só música, ele escreve poesia de guerra”, costumava dizer.
Para mim, o rap dos EUA é uma escola. Tem história, revolta, arte. Cada região tem o seu som — o boom bap de Nova Iorque, o G-funk da Costa Oeste, o trap do sul.
Depois veio o impacto do Reino Unido. Skepta, Stormzy, Dave, Little Simz. Eu ficou colado ao grime — aquele flow rápido, agressivo, com batidas secas e produção crua. Depois entrei no UK drill, que levou o estilo para outro nível, com letras duras e visuais sombrios.
“Eles rimam como se fossem espadas afiadas. E fazem-no com sotaque de rua, sem querer imitar ninguém.”
O rap britânico ensinou-me que não é preciso seguir o molde americano. O importante é ser autêntico.
Para mim, ouvir rap é mais do que curtir um som. É estudar cultura, história, linguagem. Cada linha diz algo sobre o mundo de quem a escreveu. E eu respeito isso. Gosto de traduzir letras, perceber os jogos de palavras, e até copiar flows para treinar o meu próprio estilo.
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